
Terapias personalizadas pelo SUS: genômica avança na rede pública
Dra. Helena Borges Tavares
Publicado em 28 de maio de 2026
O Sistema Único de Saúde deu um passo significativo rumo à medicina de precisão com a expansão do Programa Nacional de Genômica Clínica, anunciado pelo Ministério da Saúde em maio de 2026. A iniciativa amplia o acesso a testes genéticos e terapias personalizadas para pacientes com câncer e doenças raras atendidos na rede pública.
Até o final de 2026, 50 centros de referência em todo o Brasil estarão equipados para realizar sequenciamento genético e oferecer tratamentos baseados no perfil molecular dos pacientes. A medida beneficiará inicialmente cerca de 30 mil brasileiros por ano, com previsão de expansão progressiva nos próximos cinco anos.
A medicina personalizada representa uma mudança de paradigma no tratamento de diversas condições. Em oncologia, por exemplo, o sequenciamento genético do tumor permite identificar mutações específicas e indicar terapias-alvo com maior eficácia e menos efeitos colaterais que a quimioterapia convencional. Estudos internacionais demonstram aumento de sobrevida em até 40% para alguns tipos de câncer quando o tratamento é guiado por análise genômica.
Para pacientes com doenças raras, muitos dos quais passam anos em busca de diagnóstico, o sequenciamento do exoma ou genoma completo pode finalmente revelar a causa genética dos sintomas, possibilitando aconselhamento familiar adequado e, em alguns casos, tratamentos específicos.
O programa brasileiro se inspira em iniciativas semelhantes do Reino Unido e da Austrália, adaptadas à realidade epidemiológica e orçamentária nacional. O investimento inicial de R$ 800 milhões inclui aquisição de equipamentos de sequenciamento de última geração, capacitação de profissionais e criação de banco de dados genômicos da população brasileira.
A Sociedade Brasileira de Genética Médica destaca a importância da diversidade genética brasileira para a pesquisa mundial, uma vez que a maioria dos bancos genômicos atuais concentra dados de populações europeias. O conhecimento gerado no Brasil contribuirá para tratamentos mais adequados à miscigenação característica da população nacional.
Os desafios incluem a formação de geneticistas e conselheiros genéticos em número suficiente, a garantia de privacidade dos dados conforme a LGPD e a incorporação ágil de novas terapias-alvo ao rol do SUS. Especialistas ressaltam que a medicina genômica não é ficção científica futurista, mas realidade concreta que finalmente chega ao sistema público de saúde brasileiro, democratizando o acesso a tratamentos de ponta.
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