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Terapias genéticas chegam ao mercado brasileiro em larga escala
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Terapias genéticas chegam ao mercado brasileiro em larga escala

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Dra. Vitoria Moreira Castro

Publicado em 28 de maio de 2026

2 min de leitura

O Brasil consolidou em 2026 sua posição como líder latino-americano em terapias genéticas com a aprovação pela ANVISA de quatro novos tratamentos baseados em edição e modificação genética. As terapias abrangem desde doenças raras até tipos específicos de câncer, representando esperança para milhares de pacientes sem alternativas terapêuticas convencionais.

Entre os tratamentos aprovados destaca-se uma terapia de células CAR-T para leucemia linfoblástica aguda refratária em pacientes pediátricos, uma terapia gênica para atrofia muscular espinhal (AME) aplicável em crianças maiores de dois anos, um tratamento para beta-talassemia dependente de transfusão e uma imunoterapia personalizada para melanoma metastático.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária estabeleceu protocolos rigorosos de farmacovigilância para todos os produtos aprovados, exigindo acompanhamento de longo prazo dos pacientes tratados. A segurança das terapias genéticas permanece em constante avaliação, com relatórios trimestrais obrigatórios dos fabricantes sobre eventos adversos.

O Ministério da Saúde anunciou a criação de cinco centros de referência nacional em terapias avançadas, localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Recife. Esses centros concentrarão infraestrutura especializada e equipes multidisciplinares capacitadas para aplicação e acompanhamento desses tratamentos de alta complexidade.

A questão do custo permanece como principal desafio. Algumas terapias genéticas ultrapassam R$ 3 milhões por paciente, valores que pressionam tanto o sistema público quanto o suplementar. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS iniciou negociações com fabricantes para modelos de precificação baseados em resultado terapêutico.

O Conselho Federal de Medicina publicou diretrizes éticas específicas para terapias genéticas, estabelecendo critérios para seleção de pacientes, consentimento informado detalhado e acompanhamento vitalício. A resolução proíbe explicitamente edição genética germinal e aplicações não terapêuticas.

Pesquisadores brasileiros têm contribuído significativamente para o desenvolvimento dessas tecnologias. Instituições como USP, UNICAMP e FIOCRUZ participam de ensaios clínicos internacionais e desenvolvem terapias adaptadas às características genéticas da população brasileira, notadamente miscigenada.

Planos de saúde manifestaram preocupação com a sustentabilidade financeira da cobertura obrigatória dessas terapias. A ANS estuda modelos de compartilhamento de risco e pools específicos para tecnologias de altíssimo custo, buscando equilibrar acesso e viabilidade econômica do sistema.

A Organização Mundial da Saúde tem destacado o Brasil como exemplo de regulação equilibrada em terapias avançadas, combinando agilidade na aprovação com rigor científico e considerações éticas. A expectativa é que até 2028 o país disponibilize mais de dez terapias genéticas diferentes, transformando o tratamento de condições anteriormente incuráveis.

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