
Dra. Pamela Vieira Araujo
Publicado em 28 de maio de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou em abril de 2026 a primeira terapia baseada em RNA mensageiro (mRNA) para tratamento de insuficiência cardíaca no Brasil. A tecnologia, que ganhou notoriedade com as vacinas contra COVID-19, demonstrou em estudos clínicos capacidade de regenerar tecido cardíaco danificado e melhorar a função contrátil do coração.
O medicamento, que já havia sido aprovado pela FDA nos Estados Unidos e pela EMA na Europa, utiliza mRNA para instruir células cardíacas a produzir proteínas específicas que estimulam a formação de novos vasos sanguíneos e reparam tecidos lesionados. Estudos de fase III mostraram redução de 34% em hospitalizações por insuficiência cardíaca e melhora de 28% na capacidade funcional dos pacientes após seis meses de tratamento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 2 milhões de brasileiros vivem com insuficiência cardíaca, condição que tem alta taxa de mortalidade e representa uma das principais causas de internação no SUS. O tratamento convencional baseia-se em medicamentos que controlam sintomas, mas não revertem danos ao músculo cardíaco.
A nova terapia é administrada por injeção intramuscular mensal e destina-se a pacientes com insuficiência cardíaca de etiologia isquêmica (causada por infarto prévio) que não responderam adequadamente ao tratamento padrão. A ANVISA aprovou seu uso para pacientes em classe funcional II e III da classificação da New York Heart Association.
O Conselho Federal de Medicina destacou que a terapia com mRNA representa mudança de paradigma no tratamento cardiovascular, migrando de abordagem meramente sintomática para estratégia regenerativa. A entidade ressalta, porém, que a indicação deve ser criteriosa e acompanhada por cardiologista especializado.
Quanto ao acesso, o Ministério da Saúde iniciou negociações com o fabricante para incorporação ao SUS, processo que deve levar de 12 a 18 meses. No sistema privado, a ANS ainda avalia a obrigatoriedade de cobertura, considerando o custo estimado de R$ 45 mil por paciente ao ano.
Pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do Rio de Janeiro participam de estudos internacionais para avaliar o uso de mRNA em outras condições cardiovasculares, incluindo miocardiopatias e sequelas de miocardite. Resultados preliminares devem ser apresentados no Congresso Brasileiro de Cardiologia em agosto de 2026.
A tecnologia de mRNA abre perspectivas para medicina personalizada, com possibilidade de desenvolver terapias ajustadas ao perfil genético individual. Especialistas preveem que, nos próximos cinco anos, diversas condições crônicas poderão ter tratamentos baseados nesta plataforma tecnológica.
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