
Dra. Heloisa Cavalcanti Mendes
Publicado em 28 de maio de 2026
O Ministério da Saúde anunciou a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) de protocolo experimental de terapia celular para pacientes com diabetes tipo 1 de difícil controle. A decisão, publicada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC) em maio de 2026, representa um marco na medicina regenerativa brasileira e oferece nova esperança para milhares de pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos convencionais.
A terapia utiliza células-tronco mesenquimais autólogas ou alogênicas para modular a resposta autoimune que destrói as células beta pancreáticas produtoras de insulina. Estudos multicêntricos brasileiros, coordenados por instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), demonstraram que cerca de 40% dos pacientes tratados apresentaram redução significativa na necessidade de insulina exógena, com alguns casos alcançando independência insulínica temporária.
Inicialmente, o tratamento será oferecido em centros de referência credenciados, com previsão de atender aproximadamente 500 pacientes nos primeiros dois anos. Os critérios de elegibilidade incluem diagnóstico de diabetes tipo 1 há pelo menos cinco anos, hemoglobina glicada persistentemente acima de 8% apesar de tratamento otimizado, e ausência de complicações avançadas. A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) participou da elaboração dos protocolos clínicos.
Os pacientes selecionados passarão por rigorosa avaliação multidisciplinar antes do procedimento, que envolve coleta ou recebimento de células-tronco, processamento em laboratórios especializados certificados pela ANVISA, e infusão endovenosa em ambiente hospitalar. O acompanhamento pós-terapia inclui monitoramento imunológico, metabólico e de segurança por pelo menos cinco anos.
Especialistas ressaltam que a terapia não representa cura definitiva, mas pode proporcionar melhor controle metabólico, reduzir complicações crônicas e melhorar significativamente a qualidade de vida. Os principais riscos incluem reações infusionais e, teoricamente, alterações imunológicas de longo prazo, que serão monitoradas em registro nacional obrigatório.
O investimento do Ministério da Saúde na tecnologia reflete o compromisso com inovação terapêutica acessível. Paralelamente, a ANVISA tem aprimorado marcos regulatórios para terapias avançadas, facilitando pesquisa e desenvolvimento nacional neste campo. A expectativa é que experiências similares sejam desenvolvidas para outras condições autoimunes, consolidando o Brasil como referência em medicina regenerativa na América Latina.
WhatsMED
Fale agora com um especialista
Consultas online 24 horas, prescricao digital e atendimento humanizado. Comece sua jornada de cuidado em poucos minutos.
