
Dra. Andressa Oliveira Silva
Publicado em 28 de maio de 2026
Dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em maio de 2026 revelam que a telemedicina já representa 62% das consultas ambulatoriais na saúde suplementar brasileira, consolidando-se como modalidade preferencial para diversas especialidades médicas. O levantamento, que analisou mais de 180 milhões de atendimentos realizados no último ano, demonstra mudança estrutural no modelo de acesso aos cuidados de saúde no país.
As especialidades com maior adesão à modalidade remota são psiquiatria (78% das consultas), psicologia (75%), endocrinologia (68%), dermatologia (65%) e nutrição (63%). Consultas de retorno e acompanhamento de condições crônicas representam a maioria dos atendimentos virtuais, enquanto avaliações iniciais complexas e procedimentos ainda privilegiam o atendimento presencial. A integração com prontuário eletrônico e prescrição digital certificada por ICP-Brasil tem sido fundamental para a efetividade do modelo.
A satisfação dos usuários com a telemedicina alcançou 87%, segundo pesquisa da ANS, com destaque para a conveniência, redução de tempo de deslocamento e facilidade de acesso. Entre os médicos, 72% avaliam positivamente a modalidade, especialmente pela otimização da agenda e possibilidade de atendimento a pacientes em regiões distantes. Desafios persistem em relação à qualidade da conexão de internet em algumas regiões e à necessidade de exame físico em determinadas situações.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou em 2025 a Resolução sobre telemedicina, incorporando aprendizados dos últimos anos e estabelecendo critérios mais claros para diferentes modalidades de atendimento remoto. A norma reforça a obrigatoriedade de plataformas seguras em conformidade com a LGPD, certificação digital para prescrições e manutenção de registro adequado de todos os atendimentos.
No SUS, a telemedicina também apresenta crescimento expressivo, embora em ritmo mais lento, alcançando 35% das consultas ambulatoriais. O Programa Telessaúde Brasil Redes tem sido fundamental para levar especialistas a municípios remotos, com destaque para teleconsultorias que apoiam médicos da atenção básica em casos complexos. Estados das regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de crescimento.
O mercado de tecnologia em saúde digital movimentou R$ 8,4 bilhões em 2025, com previsão de ultrapassar R$ 12 bilhões em 2026. Plataformas de telemedicina têm investido em inteligência artificial para triagem, integração com dispositivos vestíveis para monitoramento remoto e ferramentas de análise preditiva. A expectativa é que a telemedicina se consolide como componente permanente e estratégico do sistema de saúde brasileiro, complementando o atendimento presencial e ampliando acesso com qualidade e segurança.
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