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Obesidade: novas diretrizes priorizam abordagem multidisciplinar
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Obesidade: novas diretrizes priorizam abordagem multidisciplinar

DH

Dr. Henrique Reis Gomes

Publicado em 28 de maio de 2026

2 min de leitura

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) publicou novas diretrizes para o tratamento da obesidade, reconhecendo a condição como doença crônica multifatorial que exige abordagem integrada e personalizada. O documento atualiza recomendações anteriores e incorpora evidências científicas recentes sobre medicamentos de nova geração e intervenções comportamentais.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a obesidade atinge atualmente 28% da população adulta brasileira, com tendência de crescimento. A condição está associada a diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono e diversos tipos de câncer, representando grave problema de saúde pública.

As novas diretrizes enfatizam que o tratamento deve ser individualizado, considerando fatores genéticos, metabólicos, comportamentais e socioeconômicos. A abordagem multidisciplinar, envolvendo endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e, quando necessário, cirurgião bariátrico, mostrou-se mais eficaz que intervenções isoladas.

O documento destaca o papel dos análogos do GLP-1 de nova geração, que demonstraram em estudos clínicos redução de peso corporal entre 15% e 25%, além de benefícios cardiovasculares e renais significativos. A SBEM recomenda que esses medicamentos sejam considerados para pacientes com obesidade grau II ou superior, especialmente quando associada a comorbidades.

A semaglutida e a tirzepatida, já aprovadas pela ANVISA, apresentam mecanismo de ação que reduz o apetite, aumenta a saciedade e melhora o controle glicêmico. Estudos recentes também demonstram redução de eventos cardiovasculares maiores em pacientes com obesidade e doença cardíaca estabelecida, ampliando as indicações terapêuticas.

As diretrizes reforçam que medicamentos devem ser sempre associados a mudanças sustentáveis no estilo de vida. Programas estruturados de reeducação alimentar e atividade física regular são fundamentais para manutenção dos resultados a longo prazo. O acompanhamento psicológico é recomendado para identificar e tratar transtornos alimentares, ansiedade e depressão frequentemente associados.

A cirurgia bariátrica permanece como opção importante para obesidade grau III ou grau II com comorbidades não controladas. As técnicas minimamente invasivas reduziram complicações e tempo de recuperação, com resultados superiores em termos de remissão de diabetes e melhora de qualidade de vida.

O Conselho Federal de Medicina alerta para práticas inadequadas, como uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento sem indicação médica ou acompanhamento adequado. A prescrição deve considerar contraindicações, efeitos adversos e necessidade de monitoramento regular.

Especialistas ressaltam que a obesidade não é questão de força de vontade, mas condição médica complexa que merece tratamento baseado em evidências e livre de estigma. A atualização das diretrizes representa avanço importante para qualificar o cuidado oferecido aos pacientes brasileiros.

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